Rodrigo, valeu por ler e pelo comentário :) Acho seu argumento bastante pertinente.

Enxergo essa discussão como um segundo momento, o primeiro sendo o ponto que abordei no texto, da irrelevância de questionarmos como o machismo nos afeta para decidirmos combatê-lo (não só porque corremos o risco de agir por egoísmo, mas também porque agir dessa forma camufla o problema real, algo que acabei não abordando no texto para ele não ficar ainda mais longo).

A meu ver, a única forma eficiente de combate ao machismo é a desconstrução do feminino como um elemento “nocivo” e problemático na sociedade (que é o problema real). Para isso, é preciso alçar as mulheres à condição de plena igualdade, material e simbólica, em relação aos homens.

A questão principal aqui não é que devemos parar de lutar (temos que fazer isso a todo momento!) e sim como fazer. Nós, homens, precisamos entender que a única forma duradoura de eliminar o problema é lutando com as mulheres e por elas e não em uma guerrilha particular contra os sintomas específicos que nos afetam, a partir da nossa própria interpretação deles, fruto da nossa vivência.

Como fazer isso é uma pergunta que só pode ser respondida pelas mulheres, na minha opinião. Então, precisamos perguntar, ouvir, e articular com elas a nossa ação. Não podemos cair no erro de achar que entendemos o problema e sabemos como lidar com ele porque ele nos afeta (em uma analogia tosca, seria como visitarmos um amigo no hospital e dizer “sei exatamente como é ter câncer, porque sofro todos os dias por causa do seu estado”).

Existe também uma diferença enorme entre não ser machista e ser feminista/pró-feminismo. Não ser machista é meio que a obrigação de qualquer homem pensante. Cuidar dos filhos, não agir como um macho alfa, bater de frente com o coleguinha escroto que mostra os nudes que recebeu, etc… são deveres nossos e não nos fazem feministas. Não nos fazem nada além de seres humanos decentes.

Ser de fato feminista é muito mais complexo e só é possível se coordenarmos a nossa ação com as mulheres e formos reconhecidos por elas como companheiros de luta. Depende muito mais de como elas nos veem do que de como nós mesmos nos consideramos.

Seu texto ficou muito massa :)

Cientista Social. Produtor. Escritor.

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