Âncora 1: Após um embargo de duas décadas, a palavra falcatrua está voltando à boca do povo. Sua ausência no dia a dia foi sentida por muitos comerciantes tradicionais, que precisaram se reinventar para vender os seus produtos sem poder mencioná-los diretamente.

EXT. Dia. Feira das aves de Jericoacara.

Cleide Costa, entrevistada na rua: É muito difícil pra gente não poder falar o que a gente faz, né, não poder falar o nome do produto, a gente fica assim sem saber o que fazer…

Repórter: O embargo da falcatrua durou mais de duas décadas e finalmente caiu na semana passada, quando uma comissão soberana da Câmara decidiu passar uma lei legalizando todo tipo de atividade falcatrueira, para alívio dos falcatrueiros de norte a sul do Brasil.

Cleide: O que é que eu ia dizer lá pro freguês? Que eu faço o quê, vendo o quê? A gente não podia dizer o que fazia, né... Tinha que chamar de galinha, tinha uns que chamavam de galo… Eu sempre chamei de galinha, porque falcão pra mim não é galo.

Repórter: O embargo começou em 1992, quando a ameaça à espécie dos falcões-peregrinos se tornou um problema ambiental grave na América do Sul. Como medida de emergência, toda a atividade de falcatrua foi embargada em território nacional, inviabilizando o comércio dos falcões da noite para o dia, pegando de surpresa muitos comerciantes. A medida foi rapidamente adotada por outros países do Mercosul, exceto a Argentina, e ganhou repercussão na comunidade internacional.

INT. Noite. Estúdio. Infográfico.

Repórter: No gráfico, podemos ver o impacto do embargo na atividade comercial, que respondia à época por 3,8% do PIB. A queda acentuada no comércio falcatrueiro só foi compensada nos últimos anos, com o crescimento de outras atividades primárias, como a extração do óleo de peroba e as campanhas eleitorais.

EXT. Dia. Feira das aves de Jericoacara.

José Amâncio, entrevistado na rua: Ah, eu acho que agora deve melhorar, sim… A gente não precisa mais ficar fazendo rodeio, pode dizer logo: tem falcão aqui, sim, seu moço, eu faço é falcatrua! Porque agora o comércio é legal, né? Não é mais um negócio que a gente precisa ficar lá falando "eu vendo uns bichos aí que voam, mas não é bem falcão, não, porque falcão é proibido".

Repórter: Espera-se que só nesse ano a indústria falcatrueira cresça 45% em todo o Brasil.

INT. Noite. Estúdio.

Âncora 1: Para a alegria dos brasileiros, não é, Fátima?

RISOS.

Âncora 2: E agora vamos aos esportes com nosso querido Banal de Souza. É contigo, Banal.

CORTA.

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