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quando eu te conheci, você era assim… bicho, difícil te explicar. era, né. tava lá, loira e linda, mexendo no cabelo enquanto tomava café às sete da manhã de um jeito tão bonito que eu nunca mais vi igual. foi amor à primeira vista, sabe como é? claro que não sabe, porque não existe. foi amor à nona ou décima. a gente riu pra caralho da cara um do outro naquele dia e aí rolou. amor. você demorou pra saber porque demorei pra contar, muito embora eu sempre tenha suspeitado que você era muito mais esperta que eu e tinha sacado na hora. e também que não estava nem aí e ficou me enrolando uns meses até finalmente começarmos a sair de um jeito… sei lá, mais sério? loucura. loira e linda. lembro da gente se pegando feito dois idiotas na escada da letras, enquanto calouros passavam pra tudo quanto é lado cheirando a ovo (ovo podre). foi a primeira vez, da segunda nem lembro mais, faz muito tempo. aí veio a semana de provas, tomei pau em alguma matéria que eu nem lembro qual, tamanha a importância dela pra quem eu me tornei. era tudo idiota na época, pra ser bem sincero: aulas que não acabavam nunca, professores que haviam desistido de fazer sentido décadas atrás, a cantina servindo aquela merda de pão de queijo que podia ser usada como arma química. e. eu. lá. te encontrando no intervalo, beijos, carinhos malandros, fugas do campus orquestradas com o empurrão do nosso constante estado de saco cheio. adultos em treinamento, gente simples, sem planos maiores do que acordar amanhã. você era o arquétipo do que eu buscava na vida: o espírito solto, raiz fincada na areia, volúvel como as promessas que a gente faz quando se apaixona e quebra quando finge que parou de amar. nunca mais passei tanto tempo fazendo uma única coisa na vida quanto o tempo que perdi explorando a sua nuca e descendo pelo caminho das suas costas e dali até fronteiras além do que eu podia imaginar. eu me lembro disso tudo porque foi bom, é claro, e aí teve aquela época em que parou de ser e aí­ voltou a ser e aí não foi nunca mais. e a gente se perdeu em tanta coisa, de tantos jeitos, e se encontrou de tantos outros que eu não sei dizer como chegamos até aqui – nem onde exatamente é aqui –, mas chegamos. se fosse filme, acabava em alguma coisa, mas a vida é esse negócio em que quem acaba é a gente. até logo.

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