Eduardo Furbino

toco o tempo:
meus braços
carregam as horas
feito longos ponteiros;
as mãos separam
os minutos
dos seus cabelos e
entre um e outro momento
meço a distância
espero. . .
segundo me contaram
tudo recomeça
depois que termina
respiro. . .
duas vezes por dia
estou certo: feito
relógio quebrado;
na parede do quarto
na sala vazia
velas derretem
ampulhetas se viram
séculos se passam,
frenéticos.
doze avos de tempo:
é tudo o que temo
e é só o que temos.

Photo by Daniele Levis Pelusi on Unsplash

Eduardo Furbino

Eduardo Furbino

Cientista Social. Produtor. Escritor.